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segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Dança das Iabás no Xirê (1ª Parte)

 

Ritual e Performance

Neste trabalho é focada a dança de quatro Orixás femininos do Candomblé, as Iabás ou rainhas em Iorubá. São objeto do estudo, a análise dos elementos performáticos destas danças em seu contexto no Xirê, o ritual público do Candomblé. Embora o conceito de Performance seja amplo, estudaremos Performance como: Investigação do discurso corporal baseada em ritos e em movimentos.(2)
Para o Iorubá, os Orixás são ancestrais divinos, homens e mulheres, que por terem feito atos excepcionais enquanto vivos, destacaram-se na comunidade e passaram a ser cultuados por seus descendentes e até mesmo por outros clãs. Os Orixás passam a deter os ensinamentos da comunidade. Estes feitos excepcionais ou heróicos são entendidos como a capacidade de controle e uso das forças da natureza ou Axé. Axé, em Iorubá, é compreendido como energia vital, presente em todos os elementos da natureza, sem Axé não haveria existência; é o princípio que torna possível a vida. O Axé pode ser transmitido a outros objetos ou seres humanos.
Entendemos os Orixás como personagens arquetípicos que reúnem em seu sistema mitológico ensinamentos valiosos sobre as mais variadas áreas de experiência humana e são as expressões de grandes forças cósmicas, estando associados ao mito da criação e seu Axé. Divindades, os Orixás são o meio de comunicação de um deus, superior e distante, com os homens. Estabelecem, desta forma, o contato entre o mundo sagrado e o mundo dos homens, representando uma força universal. (3)
A determinação do Orixá protetor é de grande importância, uma vez que se acredita que cada ser humano, desde o momento em que foi concebido, já tem o seu Orixá protetor de cabeça. O iniciado estabelece contato com o seu Orixá ao entrar em ‘estado de transe’.
Tal presença do santo se manifesta no corpo do fiel através de alterações corporalmente visíveis. Em descrições do transe, a presença do santo é identificada por um conjunto perceptível de mudanças corporais, caracterizadas por um emprego maior de energia e ampliação do movimento, o que acarreta um funcionamento diferenciado do cotidiano. O essencial da ação é ampliado e o restante, desprovido de significado, anulado. Desta forma, cria-se uma tensão, através da qual a energia passa. Numa visão classicamente oriental, pode-se entender energia, como a maneira pela qual se exerce uma força e, não, como uma tensão nervosa. Desta forma a energia, entendida como força vital em ação, circula pelo corpo integrando continuamente o ser mental com o físico do indivíduo.
O corpo, ao ser acionado, através do som dos atabaques cantos e danças, permite emergir, decodificando, o seu Orixá interno, um outro lado também seu, já treinado e disciplinado. Justamente esta expansão do Orixá, provoca a grande alteração corporal, tão visível nas danças do Xirê. (4) Ao acontecer, o Xirê apresenta e representa toda a estrutura simbólica e social da religião. Mesmo sendo parte do sistema religioso, durante o Xirê se percebe a construção do pensamento religioso, a manifestação da identidade do grupo, a organização hierárquica da estrutura social, a manutenção da tradição _ enfim tudo aquilo que o grupo é e representa mostra-se durante o Xirê, para o outro, o público em sua totalidade. Esta festa pública do Candomblé é a ocasião ideal para assistir às danças dos Orixás, no caso deste estudo, a Dança das Iabás.
O corpo humano, para o Iorubá , é um microcosmo e nele estão contidos todos os elementos e forças da natureza que, distribuídos harmoniosamente pelo corpo, explicam a sua mitologia. Segundo Augras,
“…os pés apoiam-se no concreto, no barro de onde saiu e para onde voltará, na terra que os antepassados pisaram e à qual retornaram. O pé direito corresponde à herança dos antepassados masculinos, e o pé esquerdo, à herança feminina. As mãos direita e esquerda, atuam sobre o mundo e transformam as coisas. A cabeça, que reproduz as quatro dimensões do espaço, contém, na interseção dos pontos cardeais, o centro da individualidade, ori-inu, manifestação do duplo sagrado, que provém de substância divina, da qual os próprios deuses são tributários” (1983,62).
Na tentativa de estabelecer contato com o divino, o reconhecimento dos deuses acontece primeiramente no corpo dos seus fiéis, com a representação feita através de uma atividade corporal, que catalisa os sentimentos e sensações dos arquétipos e as forças da natureza, a dança. Por essa importância dada ao corpo, a dança no ritual representa um determinante elemento do processo, pois é por intermédio desta que acontece a corporificação da entidade; o corpo, ao dançar, intermedia o mundo sagrado com o profano.
Na utilização de movimento, cantos e ritmos e na perspectiva de harmonizar-se com eles , teatralizam seus deuses encarnados e os recontam, através de um desenvolvimento muito bem definido e rígido, que inclui ritos de entrada, transe e ritos de saída.
Para efeito de estudo dividimos as danças em três partes: as danças de entrada no Xirê, as danças em estado de transe e as danças de saída.
por Denise Mancebo Zenicola
Nota: Este trabalho será apresentado ao longo de 6 posts, do qual este é o primeiro.
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(1) Denise Mancebo Zenicola é professora da Universidade Estácio de Sá, Curso de Interpretação Cênica, lecionando Expressão Corporal para atores; Doutoranda pela UNIRIO; participa, já há alguns anos, de um processo de discussão desta linguagem não textual; Integrante da equipe do NEPAA, Núcleo de Estudos das Performances Afro-Ameríndias, na UNIRIO, desde 1999.
(2) O ritual e a dança foram examinados sob a ótica do Estudo da Performance, disciplina esta que combina artes performáticas, antropologia e estudos culturais, para estudar atos sociais numa visão interdisciplinar. O estudo da performance empresta insights importantes e abre campo para o entendimento intercultural, oferecendo questionamento crítico das práticas culturais deste ritual, associadas aos aspectos da vida cotidiana. Complementam esta pesquisa entrevistas, pesquisa em bibliografia existente, observação de rituais, sempre tendo como referência disciplinas como a Antropologia Teatral de Eugenio Barba, e o Estudo da Performance , segundo Schechner.
3) Já foram efetuados estudos por Gisele Cossard e Zeca Ligiéro que aproximam o conceito de Orixá ao de arquétipo.
(4) O Xirê é um culto público que constitui e revela apenas uma parte da religião, o comportamento social e religioso do grupo, de forma codificada e performática. Existe ainda um outro lado privado, com acesso restrito apenas aos membros da religião. Existem variações no ritual do Xirê, de um terreiro para outro, o descrito neste trabalho, – A Festa das Iabás, foi observado no terreiro ILE OMI OJU ARO, de Mãe Beata e no terreiro OMINDAREWA dirigido por Mãe Gisele Cossard em 2000/2001. O material iconográfico foi recolhido no terreiro OMINDAREWA, gentilmente concedido por Mãe Gisele Cossard, em 2001. Os dois terreiros estão situados no Rio de Janeiro.

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