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terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Nobrezas e misturas


Eu sou do tempo antigo mesmo.  Por mais que eu tente pensar na modernização da religião, não entendo o porquê de tantas misturas e tantos erros!
Por que tantos zeladores praticamente criam um novo segmento religioso, de tão descaracterizado que é o seu culto particular baseado em Orixá?
Resposta simples: É o que se chama de compra de título de nobreza.
Eu, que era totalmente contra o uso deste termo, por achar pejorativo e discriminatório, estou agora tendo que utilizá-lo para dar forma a este texto.

Para exemplificar, vamos voltar ao tempo do Brasil colónia, onde o povo tinha um Rei em Portugal, mas seus vice-reis é que mandavam de fato na colónia. Por comparação, temos ainda hoje as grandes Casas matrizes, com seu património histórico e cultural intactos. Mas também os seus descendentes onde o “salve-se quem puder” está se tornando uma prática rotineira.
Por conta da vinda da família real para o Brasil tudo mudou, inclusive os títulos de vice-reis, que foram revistos e adequados a esta nova condição de mudança da Colónia para capital do Império.
As grandes Casas tradicionais, ao contrário do ocorrido com a corte Portuguesa, não podem e não devem se mudar para as casas de seus descendentes para “fiscalizar” o cumprimento adequado dos ensinamentos. Cada qual é livre para fazer o que bem entende.

Para resumir, o Rei não podia simplesmente reinar sobre um povo sem berço, sem súbditos de alta hierarquia, sem sua corte. E uma corte é formada por nobres.
Esta mudança de padrão implicou em formar a corte, e duas medidas foram tomadas pelo Rei: a nomeação de condes, duques, barões e outros títulos entre pessoas vindas da antiga corte ou entre os parentes e outros íntimos; e a prática da venda, literal venda de títulos de nobreza. Para ser nobre não bastava ter posses e finanças abastadas, havia a necessidade de um título de nobreza onde se atestasse ser o dono do título uma pessoa descendente de nobres e de família tradicional.

Mas que nobres e que famílias tradicionais existiam naquela época no Brasil? Por este motivo muitos títulos foram grosseiramente forjados para cumprir esta exigência Real. Mas todo o custo e risco era válido, pois um título de nobreza era o passaporte para o mundo dos palácios e festas, para os distintivos de barões e duques.
Por comparação, isso tudo é o que se vê hoje dentro dos ditos candomblés sem raiz e sem cultura. Se podia e, infelizmente, ainda se pode comprar títulos e diplomas; mas não se compra berço, raiz, conhecimento e cultura.  Falo em compra porque não há como o zelador tradicional e bem intencionado controlar o interesse e mau uso feito pelos seus descendentes ou mesmo por aqueles que em sua Casa só estiveram para um simples Bori.
Quero reflectir sobre o mau uso que algumas pessoas fazem dos nomes de zeladores de reconhecida tradição e cultura, dizendo-se filhos destes axés, sabedores e detentores dos axés destes lugares sagrados, quando na verdade esses títulos de “zeladores filhos da casa de fulano da raiz de tal lugar” não lhes servem de passaporte para nada. Eles não frequentam as Casas, só estiveram lá para dar um Bori, um sete anos, mas não as frequentam e não aprendem nada do que é ensinado. O único título que têm é o de “sou filho de fulano de tal”, e batem no peito orgulhosos e prepotentes, donos da verdade e dos novos caminhos, das novas formas de fazer, novas maneiras de entender a religião. São a modernidade em pessoa.
De forma alguma digo ou insinuo que haja culpa das Casas tradicionais nestes comportamentos equivocados, elas existem e graças a Deus existirão por muito tempo como fonte de ensinamento e inspiração para muitos. Elas não devem se negar a transmitir os ensinamentos, não fazem testes de selecção, acolhem a todos e, admiravelmente, estão de pé realizando seu trabalho.
Se há culpa, ela está nos próprios ditos zeladores que desejam fundar um Candomblé a todo custo e de toda forma, e acabam se iludindo e levando junto várias cabeças. Como ouvi há pouco tempo, há os que nascem para cuidar de Ori e os que nascem para cuidar de Orixá; são distintos e não se misturam.
A segunda parte do título diz “misturas” e é aí, é neste ponto que começamos a nos perguntar: por que misturar? Misturar com o que? Cada segmento religioso é bom no seu saber e na sua cultura; são independentes e livres, misturar porque? A troco de que?  Dizem alguns que se deve pegar um pouco de cada segmento, um pouco de cada axé, do que há de melhor em cada nação e misturar (??). Inconsequentes!!!
Hoje o que temos é um lamentável desfile de modas que chega a descaracterizar o Orixá; é difícil saber quem está debaixo de tanto bordado e tanto pano colorido, de tantos laços e adornos que mais parecem alegorias de carnaval.

É difícil entender o Bori de feitura, o assentamento de Orixá em segmento religioso que nunca os assentou, cargos de Yá ou Babá fora do Candomblé.
Misturas e falta de respeito religioso ao semelhante levam à criação e invenção de coisas tão descabidas que parecem não existir de fato. Mas existem, e estão causando grandes traumas e arruinando o Candomblé e a Umbanda. Comprar um título e pendurar na parede, fazer grandes festas, e grande alarde do seu poder, do seu contacto íntimo com as entidades, explorar a fé e credulidade do povo… É para isso que está servindo o título de “filho de fulano de tal”.

Hoje, enquanto percorria o mercado, fiquei pasmo ao ver a quantidade de adereços de cabeça, plumas e paetês à venda. E, principalmente, as caras das pessoas, ditas “do santo”, ao admirar e fazer planos de comprar para o Orixá tais adornos. Isso seria para o Orixá ou para deleite e exibição próprios? Orixá é simples, não precisa destes adornos. O homem sim, precisa se exibir.
Aonde vai parar isso não sabemos, mas enquanto pudermos vamos resistir, informar e respeitar o irmão. Enquanto minha Yá me permitir falarei, enquanto existirem pessoas dispostas a pensar e resgatar o Candomblé, estaremos juntos.

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