ESTE BLOG VISA A DIVULGAÇÃO DA DOUTRINA DOS ESPÍRITAS DAS RELIGIÕES ALLAN KARDEC, UMBANDA E CANDOMBLÉ .
TODAS AS POSTAGENS AQUI NÃO TEM A INTENÇÃO DE INFLUENCIAR NINGUÉM EM SUA BUSCA RELIGIOSA. QUE ESTE BLOG SIRVA DE PESQUISAS, BATE PAPOS E TROCA DE IDÉIAS...

Umbanda Campinas tem objetivo de divulgar endereços de Centros de Umbanda e Centros Espírita e Centros (roças) de Candomblé.
Abrimos espaço para a divulgação de Centros, seja de Umbanda Candomblé, Centros Espíritas Allan Kardec e Centros de Quimbanda, matérias e artigos.
Aqui está o maior Blog do interior do Estado de São Paulo, localizado na cidade de Campinas-SP.
aqui você pode divulgar suas informações coisa tudo sobre as religiões Afros Brasileiras e também coisas sobre o Kardecismo.
Bom, aqui há vários artigos de umbanda para aprimorar e conhecer mais sobre Umbanda e Candomblé , além disso o Umbanda Campinas tem rádio no Blog e Sala de bate Papo para nós comentarmos Sobre esse Assunto Das Religiões Espíritas de Campinas.

Arquivos do blog Umbanda Campinas

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

O Transe e a Identidade

 

Na visão do candomblé, com a iniciação recupera-se uma identidade natural e social perdida por várias causas e que é o fundamento, que estava presente desde o nascimento. Esta é a memória do corpo, que ritualmente vai ser re-activada e fixada através de longas etapas de aprendizagem e incorporação dos fundamentos da vida religiosa, através da dança e da música. À medida que o filho-de-santo vai avançando nos passos da sua iniciação, estará também a ingressar numa ordem sócio-cosmológica na qual o corpo e as suas sensações ocupam um lugar de destaque. (Brito Polvora, 1995).
Segundo os relatos dos iniciados, o “chamado” do Orixá pode acontecer de diversas formas: sonhos, sensações, visões, doenças estranhas que não são confirmadas pela medicina tradicional, e, em geral, um sofrimento psíquico ou físico que se manifesta de um dia para o outro sem uma explicação certa.
No contacto com estas pessoas, colocando-lhe questões, surge um mundo fantástico e em movimento que se agita no corpo e que, com grande dificuldade, pode ser expresso com palavras e entendido por aqueles que não o experimentaram.
A iniciação, como relata Reginaldo Prandi, “consiste, pois, em etapas de aprendizado ritual, por parte do filho-de-santo, e em estágios de adensamento da sacralidade do orixá particular deste iniciado ” e no desenvolvimento de uma nova identidade que, conforme estas pessoas, parecem ser mais seguras – as pessoas afirmam sentir-se mais protegidas, dizem que “aprendem a lidar com a vida de outra forma”.
A idedntidade sonora
Segundo as lendas, a divindade suprema dá a vida ao homem através do sopro (Emí). Por causa disso, o candomblé pode ser considerado uma religião pneumática , ou seja, entende-se que a criação se originou pelo ritmo da respiração da divindade.
Segundo a mitologia, cada pessoa nasce com um dono-da-cabeça, que vive no corpo através do seu ritmo individual, da sua respiração, do seu andar. Esse ritmo pessoal, por diversas causas, pode ser esquecido ao longo da vida . O ritmo interior, ligado ao orixá dono-da-cabeça , ao longo da aproximação à religião e mais exatamente na iniciação, é feito emergir e fixado definitivamente no corpo, este ritmo tem uma vibração que a música capta e expressa como uma memória da identidade espiritual.
A personalidade do orixá é inscrita no corpo do iniciado em rituais secretos que prevêem como uma das condições o uso do ritmo e do som. Nessa fase dramática da vida do iniciao, a base rítmica do próprio dono-da-cabeça (o toque especifico e a sua cantiga) vai-se tornar um ritmo permanente que serve como pano de fundo para as actividades progressivas do recém-nascido. Assim, todas as vezes que os Alabés tocarem, a identidade sonora do filho-de-santo responderá aos tambores, cujo toque chama o seu orixá.
Sendo a iniciação a representação do nascimento, o fiel nasce simbolicamente uma segunda vez, numa nova vida, e, sendo o som, o ritmo, o movimento, elementos constantes da vida fetal, os movimentos e ritmos que os iniciados aprendem no Roncó irão ocupar também uma parte importante da sua memória originária e serão inscritos no seu corpo. A identidade sonora (o toque do Orixá) pode ser equiparada à alma do iniciado, que ele manifestará nos rituais periódicos.
Os toques tão diferentes de Oiá ou de Iemanjá, por exemplo, atestam inequivocamente os traços da personalidade desses orixás. A primeira, nervosa e livre; a segunda, uma matrona calma e independente que anda distribuindo alimentos e harmonia. De facto, cada orixá tem o seu toque único e original que simbolicamente corresponde à sua voz, à sua personalidade, ao seu movimento, aos seus aspectos mitológicos e aos elementos naturais dos quais é composto.
Essa identidade sonora do orixá contém a identidade sonora do possuído. A música é a comunicação entre o filho e o orixá, enquanto a dança é a manifestação dessa comunicação. O possuído reconhece, a um nível sensual, os ritmos e os movimentos precedentemente inscritos no seu corpo e, todas as vezes que ouve a sua identidade sonora, ele responde com o corpo.
A comunicação acontece aí a um nível muito subtil: o som dos tambores propaga-se através de todos os sentidos, a música envolve a pessoa como um todo e obriga-a a comparticipar do som. Em geral, com a passagem do tempo e o aumento dos anos de iniciação, o ritmo interior corresponderá sempre mais ao ritmo exterior, numa progressiva união e conhecimento com o orixá do qual é filho. Cabe ao fiel moldar-se e comunicar com o Orixá, até entender as suas mensagens aprendendo a “dançar” na vida quotidiana.
No Candomblé, o Orixá pode chamar o fiel de diversos modos e muitas das vezes o faz através de uma doença ou de uma desordem psíquica. Se a divindade exige ser feita, o filho-de-santo será iniciado, obtendo na esmagadora maioria dos casos a cura da doença e um maior equilíbrio psicológico. O tratamento é, em grande medida, conduzido através da música, que põe em comunicação a terra, o Aiê, com o mundo espiritual, o Orum – isto é, o exterior e o interior.
A cura na terapêutica do Candomblé, é muito fascinante, em especial quando é contraposta à terapêutica oficial, em que o doente é privado do próprio corpo, na maior parte das vezes fragmentado e desprovido de uma história própria. Pelo contrario, nesta religião o corpo é percebido como um todo e deve ser activado para aprender a cuidar-se e a dar valor às experiencias feitas no mundo, para aprender a “ser-no-mundo” agora.
O elemento sonoro-musical utilizado no tratamento põe o fiel numa nova dimensão existencial, a da experiência religiosa, orientando-o e protegendo-o no contexto ritual.
A partir do momento em que existe uma harmonia entre a música interior, a própria identidade sonora e aquela dos tambores, advém o conhecimento da identidade espiritual, do outro, do divino e, através do outro, de si.
Aparece, assim, o conceito do “duplo” divino: o filho-de-santo, deixando-se possuir, cria, ele mesmo, o “outro” e, nesse processo de criação-incorporação, experimenta-o intensamente dentro de si, até ele mesmo o possuír, inscrevê-lo no próprio corpo como uma nova identidade-rítmica interior, à qual poderá fazer referência ao longo da sua vida.
Segundo o candomblé é através do corpo que o homem inicia o conhecimento religioso e alcança uma nova identidade mais forte e protectora, a do Orixá. É no corpo que vivem as experiências e se unem as várias informações simbólicas sobre o mundo; é no corpo que, vivendo as energias sagradas, o fiel se pode comunicar com o divino.
Por Rosamaria Susanna Barbára

Nenhum comentário:

Atenção!

O Artigo Que você Clica Irar Aparecer La em Baixo !

Sala De Bate Papo Umbanda Campinas