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terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Sobre as Qualidades de Orixás

Existe sem duvida no Brasil e em Portugal uma questão muito polémica sobre as multiplicidades dos orixás chamada por todos de “qualidade de santo”. Essa questão será esclarecida nesta coluna exaustivamente para que todos possam ter acesso.
Primeiro, em África fica mais fácil o entendimento porque não há qualidade de santo; ou seja, em cada região cultua-se um determinado orixá que é considerado ancestral dessa região e, alguns orixás pela sua importância acabam por ser conhecidos em vários lugares como é o caso de Xangô, Orumila, etc., é de saber também que Exu é cultuado em todo o território Africano.
Vejam bem: Oxum da cidade de Osogbo é Oxum Osogbo, da região de Iponda é a Oxum de Iponda, Ogún da região de Ire é Ogún de Ire (Onire: chefe de ire), do estado de Ondo é Ogún de Ondo,etc.
Na época do tráfico de escravos chegaram ao Brasil diversas etnias Ijesas, Oyos, Ibos, Ketus,etc., e cada qual trouxe os seus costumes junto com os seus orixás, digamos particulares, e após a mistura dessas tribos e troca de informações entre eles cada sacerdote ou quem entendia de um determinado orixá, trocaram fundamentos e a partir daí surgiram as qualidades, e essa quantidade de orixás presente no Brasil e em Portugal, sendo que o orixá é o mesmo, mas apenas com origens diferenciadas.
É claro que por ter origens diferenciadas, os seus cultos possuem particularidades religiosas e até mesmo culturais, por exemplo: Oyá Petu tem os seus fundamentos, assim como Oyá Tope terá o seu, isso nada mais é, que uma passagem do mesmo orixá por diversos lugares, e cada povo passou a cultuá-lo de acordo com os seus próprios costumes.
Um exemplo mais nítido é o facto de se fazerem muitos pratos para Oxum com feijão fradinho; entretanto num determinado país não há esse feijão, portanto foi substituído por um grão semelhante e assim puderam continuar com o culto a Oxum sem a preocupação de importar o feijão fradinho.
Outro exemplo de orixá transformado em qualidade é Osun Kare; Kare é uma louvação a Oxum quando se diz: Kare o Osun! A palavra kare também é uma espécie de bairro na África, logo Oxum cultuada em kare é Oxum kare, e assim vai surgindo desordenadamente essa quantidade de orixás no Brasil e por esse mundo fora.
Imagine um rio que atravessa todo o território Nigeriano e, nas suas margens, diversas etnias: num determinado local algumas pessoas diriam que ali é a morada de Oxum Ijimu (cidade de Ijimu na região dos Ijesa), mais para a frente, em Iponda, diriam que aqui é a morada de Oxum Iponda, mais para a frente, em Ede esse rio terá o culto de Ologun Ede, o chefe de guerra de Ede, segundo a sua mitologia, e serão assim diversos os orixás cultuados num mesmo rio por diversas etnias com pequenas particularidades. Isso acontece com todos os orixás e as suas mitologias fazem alusão a essas passagens e constantes peregrinações dos seus sacerdotes, que quer por viagens comercias quer por guerras inter-tribais, que sempre espalharam os seus orixás por outras regiões.
Outro facto interessante são os títulos que algumas divindades possuem e foram transformadas em qualidades, por exemplo Oxóssi Akeran – Akeran é um titulo de um determinado caçador (ancestral) – com isso vamos nas próximas edições analisar esses factos e informar todas as qualidades de orixás da nação ketu que o sacerdote pode ou não mexer, de acordo com o conhecimento de cada um, pois o nosso dever é informar sem nunca ter a pretensão de ser o dono da verdade. Numa próxima oportunidade vamos diferenciar, títulos de nomes de cidades, e nomes tirados de cânticos, que as pessoas insistem em dizer que são “qualidade de orixá”.
Por: Cleide Pizani

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